Caros leitores mudos
Todos vocês se questionam ou questionam-me à cerca das eleições em Angola. "Não será perigoso?", "e se isso acaba lá como no zimbabué?", "África é África. Não devias estar aí.Porque não regressas?", " e se há uma revolta do partido que perde?". A todas estas questões eu não tenho uma única resposta. Posso dissertar sobre o que penso e sinto por estas bandas, mas não sei se vão entender ou vão, quem sabe, achar que se vai tratar de um pequeno diário lamechas de uma menina de colégio que resolveu ir para Angola. Será??
Antes de começar....... Eu não faço a minima ideia porque ainda cá estou. Querem vocês ver que afinal até gosto desta terra ou mesmo tempo que sei que ela me suga as minhas últimas energias catarses? Amor e ódio, qual romance shakspeariano ou alminhas de Dante...........É África não é ficção.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Nunca se sabe quando pode chegar o frio a África...

Olá meus caros leitores
Cá estou eu de regresso a este Continente que descobri ser bastante frio. Sim!!!! Frio.
Pois é. Mal acabo de chegar os amigos, saudosos, ofereceram um café (sim porque jantar é caro) e entre conversas e palhaçadas um camarada conta a seguinte história:
Vocês nem imaginam estavam os trabalhadores da minha empresa, a pedido de alguém lá de cima, a arrumar umas máquinas de trabalho vendidas pelos russos a Angola, quando de repente deparam-se sabem com o quê???
e nós: NÃO
com umas máquinas para limpar neve
e nós: Limpar neve em Angola
Sim meus caros... os senhores da Rússia convenceram alguém de cá a comprar limpa neves carissismos.
Bom, digo eu, nunca se sabe quando em África pode fazer um frio de rachar...
De volta a kaluanda
Eu tinha razão e o Variações é o maior. Agora estou aqui e tenho tanta vontade de estar aqui como de um tiro na cabeça.
Será que sou daquele tipo de pessoas que gosta da adversidade e de a superar para mostrar algo a si próprio. Acho que sim...
Por muito que as partes boas daqui sejam de descontracção, as más são de extrema resignação. Vens para mudar mas és barrado pela mentalidade instituída, e depois adormeces e cais nas práticas deles.
Aqui o "deixa andar" é bem pior. Aqui o "logo se vê" dita o destino. Aqui o "não tem maka" é lei.
Acreditem que isto de que vos falo está directamente relacionado com o que faço, pois outras pessoas fazem outras coisas e sofrem com isto, mas não adormecem.
Dizem vocês então muda, ao que eu respondo: Para onde?
Vocês: Tanto sítio, nem precisavas de sair de casa.
Eu: Desculpem mas gosto de ver se a relva da vizinha é mais verde que a minha.
Faz três dias desde que cheguei e esta cidade está igual, um pouco mais caótica com mais obras (como se isso fosse possível) e com a campanha eleitoral a assustar o ocidental mais incauto.
São os autocarros e os kandongueiros cheios de malta a sair das janelas, em tronco nu e a bater na chapa das viaturas, ou simplesmente grupos de gente a pé, a cantarem não se sabe bem o quê com um tom bastante efusivo. Assusta porque nos faz lembrar outros cenários que descambaram em guerra. Mas aqui dizem-nos que isso é impossível.
Esperemos que sim... Pelo sim pelo não, vou encomendar o meu colete a dizer PRESS...
Será que sou daquele tipo de pessoas que gosta da adversidade e de a superar para mostrar algo a si próprio. Acho que sim...
Por muito que as partes boas daqui sejam de descontracção, as más são de extrema resignação. Vens para mudar mas és barrado pela mentalidade instituída, e depois adormeces e cais nas práticas deles.
Aqui o "deixa andar" é bem pior. Aqui o "logo se vê" dita o destino. Aqui o "não tem maka" é lei.
Acreditem que isto de que vos falo está directamente relacionado com o que faço, pois outras pessoas fazem outras coisas e sofrem com isto, mas não adormecem.
Dizem vocês então muda, ao que eu respondo: Para onde?
Vocês: Tanto sítio, nem precisavas de sair de casa.
Eu: Desculpem mas gosto de ver se a relva da vizinha é mais verde que a minha.
Faz três dias desde que cheguei e esta cidade está igual, um pouco mais caótica com mais obras (como se isso fosse possível) e com a campanha eleitoral a assustar o ocidental mais incauto.
São os autocarros e os kandongueiros cheios de malta a sair das janelas, em tronco nu e a bater na chapa das viaturas, ou simplesmente grupos de gente a pé, a cantarem não se sabe bem o quê com um tom bastante efusivo. Assusta porque nos faz lembrar outros cenários que descambaram em guerra. Mas aqui dizem-nos que isso é impossível.
Esperemos que sim... Pelo sim pelo não, vou encomendar o meu colete a dizer PRESS...
sábado, 12 de julho de 2008
Home is where the heart is
Depois de muito tempo sem escrever nada eis que me apeteceu voltar aqui, a este lugar L.
Quando iniciei este blog, a minha ideia era desabafar a minha má adaptação a Luanda, era descarregar as frustações do dia-a-dia angolano, era, no fundo, mostrar que as saudades de outro lugar L (Lisboa) eram ainda mais fortes, exactamente por estar em Luanda.
Pensava e sentia eu que jamais me adaptaria ao caos luandino (ou luandense), mas verifico agora que estou redondamente enganado.
Estou no lugar L que me viu nascer (Lisboa), no lugar onde fiz amigos de infância, onde fiz e terminei amores, onde passeei a pé e de carro e de transportes, e onde me apaixonei por uma cidade. Lamento, mas aquilo que eu tinha como adquirido (o meu amor incondicional por Lisboa e o meu desgosto de viver a 9000 km daqui) foi alterado para um estado desconfortável (aquele estado que o Variações cantava).
Cheguei a Luanda com o espírito de emigrante português impregnado no cérebro, aquele saudosismo que nos leva a Portugal perante qualquer imagem, perante qualquer som familiar. E acabei por sair de Luanda com vontade de dar um saltinho a Lisboa, banhar-me na civilização de cá, ver entes queridos (os quais não visitava muitas vezes quando vivia cá), mas ir logo a correr para a selva luandina e para o paraíso angolano da terra infindável.
Agora não sei quando ou se volto (fruto da chamada competência angolana), mas também sinto que já não sei onde é a minha casa.
Amigos angolanos! Acreditem quero voltar.
Amor! Tu mais tarde ou mais cedo irias para lá.
Família! Já era tempo de sair da toca.
Estas três últimas frases eram o meu lema quando eu tinha a certeza que voltaria, agora esse lema mudou...
Quando iniciei este blog, a minha ideia era desabafar a minha má adaptação a Luanda, era descarregar as frustações do dia-a-dia angolano, era, no fundo, mostrar que as saudades de outro lugar L (Lisboa) eram ainda mais fortes, exactamente por estar em Luanda.
Pensava e sentia eu que jamais me adaptaria ao caos luandino (ou luandense), mas verifico agora que estou redondamente enganado.
Estou no lugar L que me viu nascer (Lisboa), no lugar onde fiz amigos de infância, onde fiz e terminei amores, onde passeei a pé e de carro e de transportes, e onde me apaixonei por uma cidade. Lamento, mas aquilo que eu tinha como adquirido (o meu amor incondicional por Lisboa e o meu desgosto de viver a 9000 km daqui) foi alterado para um estado desconfortável (aquele estado que o Variações cantava).
Cheguei a Luanda com o espírito de emigrante português impregnado no cérebro, aquele saudosismo que nos leva a Portugal perante qualquer imagem, perante qualquer som familiar. E acabei por sair de Luanda com vontade de dar um saltinho a Lisboa, banhar-me na civilização de cá, ver entes queridos (os quais não visitava muitas vezes quando vivia cá), mas ir logo a correr para a selva luandina e para o paraíso angolano da terra infindável.
Agora não sei quando ou se volto (fruto da chamada competência angolana), mas também sinto que já não sei onde é a minha casa.
Amigos angolanos! Acreditem quero voltar.
Amor! Tu mais tarde ou mais cedo irias para lá.
Família! Já era tempo de sair da toca.
Estas três últimas frases eram o meu lema quando eu tinha a certeza que voltaria, agora esse lema mudou...
terça-feira, 6 de maio de 2008
sábado, 26 de abril de 2008
Noites quentes do Verão português
"Grândola vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti ó cidade"
Foi ao som de Zeca Afonso, uma sentida homenagem para este grande homem, que, a escassos 10 minutos da meia-noite do dia 25 de Abril, eu e um amigo entrámos na descida da estrada do Lobito.
Por estúpido que pareça até me senti arrepiado, como se estivesse a sentir que o dia da Revolução dos Cravos fosse um dos principais responsáveis por podermos estar ali.
Claro que eu não consigo imaginar o terror de quem teve de sair deste país à força e de abandonar as suas vidas e amigos. Algo que o 25 de Abril também precipitou.
Digamos que foi um sentimento de algum orgulho por ser português, daqueles que se sentem, por exemplo, quando ouves o hino antes de uma eliminatória numa fase final de qualquer Campeonato Mundial ou Europeu de futebol.
Lá continuámos a ouvir sons da nossa terra (em angolano é banda), umas musiquinhas do Saúl outras do Dino Meira (obrigado ao Ipod do Tozé por ter um leque variado de sons). Mais uns sons pimba e a minha mente já viajava para as sardinhadas do Santo António, das noites quentes de Lisboa ao som das bandas populares. Das noites animadas das santas terrinhas do interior, dos melos e dos curtes que a malta dava quando era pito às pitas das territas.
Dos gajos a conduzirem Renault 5, de bandeira axadrezada pintada no capôt, como se fosse um verdadeiro Subaru WRX. Dos bêbados a serem colhidos por touros nas arenas improvisadas no meio das vilas. E sobretudo do convívio com os amigos nessas alturas.
Foi só um pouco de saudades que uma noite quente, mas mais fresca do que é habitual aqui, nos cria. Ah! Já quase que me esquecia do que sinto também muita falta... Da bela da bifana ou coirato (é assim que se diz na minha terra :)) numa mão, com a Mine (Sagres Mini para os mais ignorantes) a estalar na outra.
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti ó cidade"
Foi ao som de Zeca Afonso, uma sentida homenagem para este grande homem, que, a escassos 10 minutos da meia-noite do dia 25 de Abril, eu e um amigo entrámos na descida da estrada do Lobito.
Por estúpido que pareça até me senti arrepiado, como se estivesse a sentir que o dia da Revolução dos Cravos fosse um dos principais responsáveis por podermos estar ali.
Claro que eu não consigo imaginar o terror de quem teve de sair deste país à força e de abandonar as suas vidas e amigos. Algo que o 25 de Abril também precipitou.
Digamos que foi um sentimento de algum orgulho por ser português, daqueles que se sentem, por exemplo, quando ouves o hino antes de uma eliminatória numa fase final de qualquer Campeonato Mundial ou Europeu de futebol.
Lá continuámos a ouvir sons da nossa terra (em angolano é banda), umas musiquinhas do Saúl outras do Dino Meira (obrigado ao Ipod do Tozé por ter um leque variado de sons). Mais uns sons pimba e a minha mente já viajava para as sardinhadas do Santo António, das noites quentes de Lisboa ao som das bandas populares. Das noites animadas das santas terrinhas do interior, dos melos e dos curtes que a malta dava quando era pito às pitas das territas.
Dos gajos a conduzirem Renault 5, de bandeira axadrezada pintada no capôt, como se fosse um verdadeiro Subaru WRX. Dos bêbados a serem colhidos por touros nas arenas improvisadas no meio das vilas. E sobretudo do convívio com os amigos nessas alturas.
Foi só um pouco de saudades que uma noite quente, mas mais fresca do que é habitual aqui, nos cria. Ah! Já quase que me esquecia do que sinto também muita falta... Da bela da bifana ou coirato (é assim que se diz na minha terra :)) numa mão, com a Mine (Sagres Mini para os mais ignorantes) a estalar na outra.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Luanda afinal até me kuia (até gosto)
Diálogo
Depois do jipe estacionado, sem ajuda nenhuma, eis que chega um puto e diz:
-Chefia! Estou aí a controlá. Ya...
Eu:
-Como te chamas? (resposta) ... Ya, controla só.
Palavras chave desta conversa, controla, ya e só. É assim que nos entendemos nas ruas de Luanda, com um discurso cheio de calão e com frases que envergonhariam qualquer chelame (natural de Chelas). Não sei se entenderam, mas ele basicamente disse-me: -Vá paga-me uma gasosa que é para quando voltares, não teres os pneus furados. E eu respondi: -Estou-te a identificar que é para depois te marcar, e sim dou-te uma gasosa (grojeta).
Especialista de mecânica
Queres arranjar qualquer coisa no carro. Segue para a Rapor, que se situa no meio da rua, num parque público, onde há um grupo de rapazes, vestidinhos com calcinha de ganga e t-shirt da moda, que fazem de tudo. Desde grampear vidros (é necessário grampear os espelhos, os piscas e os faróis para que não desapareçam), questões eléctricas (recomendo o puto Walter) e colocação de pequenos pormenores de embelezamento (o chamado xuning). Tudo se faz no meio da rua e por preços negociáveis. Aliás já vi um Cayenne e um Touareg ali a serem grampeados, portanto os putos devem de ser bons.
Fila conveniente
No trânsito infernal apenas uma coisa me agrada, os zungueiros (vendedores) que andam entre o espaço que os carros deixam na estrada (que por muitas vezes é pouco) a vender tudo. Precisei de uns cabos de bateria:
-Xé 2000 kwanza mô cota.
-Mas porquê, 1000 kz não é Kumbu?
-Nada mô cota. Esse é preço de igreja (de custo) . Vai por 1500 kz.
-Ok, tens troco de 2000 KZ.
-Espera aí mô cota. EH! Traz-me aí 500 kz... (enquanto vai a correr para trazer o troco, eu continuo a avançar na fila)
Negócio feito, lá vou avançando lentamente na fila com um calor tórrido. Sem ar-condicionado andar em Luanda simplesmente seria um inferno.
Elas são quentes
Nas discotecas elas andam com calções minúsculos e muito bem produzidas. Dançam tarraxinha (basicamente roçar o sexo um no outro mas de roupa vestida) e qualquer um pode dar um pézinho de dança.
Um amigo meu, já podre de bêbado, pegou numa negrinha alta para dançar. Ela não disse que não e tarraxou nele, entretanto o namorado olhava para os dois. Ela olhou para ele e parou de dançar. O meu amigo ficou assim meio espantado e foi a trás:
-Ensina só. (disse ele)
-Mas tá aqui o meu namorado. (disse ela)
-Não tem Maka, ensina só.
O namorado lá acenou que sim e, então, ficou o meu amigo a roçar-se na pobre da moça o resto da música.
Para entenderem que isto não é nada, vou-vos contar um pequeno diálogo.
Um amigo tuga depois de dançar com uma moça a noite inteira, virou-se e disse:
-Queres ir dar uma volta? (perguntou ele timidamente)
-Porquê. Não tens casa? (disse ela em tom intrigado)
Depois do jipe estacionado, sem ajuda nenhuma, eis que chega um puto e diz:
-Chefia! Estou aí a controlá. Ya...
Eu:
-Como te chamas? (resposta) ... Ya, controla só.
Palavras chave desta conversa, controla, ya e só. É assim que nos entendemos nas ruas de Luanda, com um discurso cheio de calão e com frases que envergonhariam qualquer chelame (natural de Chelas). Não sei se entenderam, mas ele basicamente disse-me: -Vá paga-me uma gasosa que é para quando voltares, não teres os pneus furados. E eu respondi: -Estou-te a identificar que é para depois te marcar, e sim dou-te uma gasosa (grojeta).
Especialista de mecânica
Queres arranjar qualquer coisa no carro. Segue para a Rapor, que se situa no meio da rua, num parque público, onde há um grupo de rapazes, vestidinhos com calcinha de ganga e t-shirt da moda, que fazem de tudo. Desde grampear vidros (é necessário grampear os espelhos, os piscas e os faróis para que não desapareçam), questões eléctricas (recomendo o puto Walter) e colocação de pequenos pormenores de embelezamento (o chamado xuning). Tudo se faz no meio da rua e por preços negociáveis. Aliás já vi um Cayenne e um Touareg ali a serem grampeados, portanto os putos devem de ser bons.
Fila conveniente
No trânsito infernal apenas uma coisa me agrada, os zungueiros (vendedores) que andam entre o espaço que os carros deixam na estrada (que por muitas vezes é pouco) a vender tudo. Precisei de uns cabos de bateria:
-Xé 2000 kwanza mô cota.
-Mas porquê, 1000 kz não é Kumbu?
-Nada mô cota. Esse é preço de igreja (de custo) . Vai por 1500 kz.
-Ok, tens troco de 2000 KZ.
-Espera aí mô cota. EH! Traz-me aí 500 kz... (enquanto vai a correr para trazer o troco, eu continuo a avançar na fila)
Negócio feito, lá vou avançando lentamente na fila com um calor tórrido. Sem ar-condicionado andar em Luanda simplesmente seria um inferno.
Elas são quentes
Nas discotecas elas andam com calções minúsculos e muito bem produzidas. Dançam tarraxinha (basicamente roçar o sexo um no outro mas de roupa vestida) e qualquer um pode dar um pézinho de dança.
Um amigo meu, já podre de bêbado, pegou numa negrinha alta para dançar. Ela não disse que não e tarraxou nele, entretanto o namorado olhava para os dois. Ela olhou para ele e parou de dançar. O meu amigo ficou assim meio espantado e foi a trás:
-Ensina só. (disse ele)
-Mas tá aqui o meu namorado. (disse ela)
-Não tem Maka, ensina só.
O namorado lá acenou que sim e, então, ficou o meu amigo a roçar-se na pobre da moça o resto da música.
Para entenderem que isto não é nada, vou-vos contar um pequeno diálogo.
Um amigo tuga depois de dançar com uma moça a noite inteira, virou-se e disse:
-Queres ir dar uma volta? (perguntou ele timidamente)
-Porquê. Não tens casa? (disse ela em tom intrigado)
Subscrever:
Mensagens (Atom)


